segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

SALÁRIO MÍNIMO REDUZ CRISE

Reajustado neste mês em 6,4% em termos reais, o novo salário mínimo de R$ 465 injetará diretamente na economia R$ 21 bilhões pelos cálculos do Ministério do Trabalho e será um importante instrumento de política anticíclica nestes tempos de crise, segundo especialistas. Permitirá, dizem, manter algum dinamismo em setores que dependem da expansão da renda, como o de alimentos.
Para Fábio Romão, economista da LCA, o aumento do mínimo, aliado à inflação menor neste ano, vai sustentar o consumo de alimentos e outros bens semi e não-duráveis (como roupas, calçados e produtos de limpeza e de higiene pessoal) e amortecer o impacto da crise tanto na produção como no emprego. O reajuste real também terá mais peso nas regiões onde a penetração do mínimo é maior, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Antes mesmo do aumento total de 12,05% do mínimo, o desempenho dos setores ligados à renda já destoava do resto. De outubro a dezembro, a indústria geral registrou tombo sem precedentes em crises anteriores, de 19,8%. Mas, em alimentos, a queda foi suave -0,7%, a menor dos ramos.
Só registraram expansão bebidas (0,2%), também dependente da renda, e outros veículos automotores (20,1%), por causa da fabricação de aviões encomendados antes da crise, contra queda de 54% na produção de veículos, diz o IBGE.
Isabella Nunes, do IBGE, diz que os ramos ligados à renda já tiveram resultados um pouco melhores nos três últimos meses de 2008 -quando a indústria sentiu, progressivamente, o forte baque da crise.
"A indústria desabou em dezembro, mas a renda ainda sustenta um pouco os não-duráveis." Em dezembro, a produção da indústria geral caiu 14,5% ante dezembro de 2007 -a maior retração desde 1991. Naquele mês, outro ramo ligado à renda, a indústria farmacêutica, cresceu 11,7%.
Para Nunes, uma eventual estabilidade do mercado de trabalho e o efeito do reajuste do salário mínimo jogarão um papel importante para definir o rumo da economia neste ano.
Já Romão vê o mínimo como um "amortecedor" da crise, mas que não impedirá uma desaceleração do ritmo da atividade. Regionalmente, os Estados do Nordeste já registraram em dezembro resultados "menos ruins", diz Romão, justamente por causa do maior peso das indústrias de semi e não-duráveis. Tiveram recuos abaixo da média de 14,5% as indústrias de Pernambuco (-6,2%) e Ceará (-3,9%). Goiás registrou expansão -1,1%-, impulsionado pela indústria de alimentos, cujo peso é de 66% no Estado.
"Sentiremos a crise, mas menos que os outros setores. A produção deu pequena desacelerada, mas estamos otimistas. A indústria de alimentos deve crescer 3% no ano, e o aumento real do mínimo ajudará o consumo", diz Denis Ribeiro, da Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação).
Segundo Ciro Mortella, presidente da Febrafarma (Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica), o setor ainda não sente o impacto da crise na produção, mas também não deve ficar inume. "Seremos afetados, mas em menor escala."

Folha de S. Paulo

Lula: Brasil vai se transformar em um grande produtor e exportador de pescado

Ao comentar visita ao estado de Pernambuco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (16) que espera que o Brasil seja não apenas auto-suficiente na produção de peixes, como um grande exportador da indústria de pescado. Em Recife, ele visitou, na semana passada, a primeira fazenda marítima brasileira.

“Em alguns anos, vamos nos transformar em um grande produtor de pescado. Hoje, o povo brasileiro come, em média, sete quilos de peixe per capita por ano. Outros países comem nove, dez, até 12 quilos. Precisamos pescar mais para incentivar o povo brasileiro a comer mais peixe e para que a gente possa fazer com que o Brasil tenha na sua balança comercial um saldo positivo, exportando pescado para o mundo desenvolvido.”

Em seu programa semanal Café com o Presidente, ele destacou que a expectativa é de que sejam produzidas 10 mil toneladas de peixes “genuinamente brasileiros” por meio de 48 tanques instalados na fazenda marítima de Recife. Segundo Lula, o governo pretende ainda capacitar pescadores artesanais da região para a criação de espécies como o bijupirá.

“Fizemos um marco regulatório que esperou 15 anos e agora estamos tanto nos rios, nas represas e nas hidrelétricas quanto no mar, autorizando áreas para que as pessoas possam criar peixes. O benefício maior é o conhecimento científico e tecnológico do Brasil em uma área nova. Espero que outros exemplos aconteçam em outros estados para que o Brasil possa se tornar um grande produtor de peixe.”

Sobre sua visita ao Ceará, o presidente afirmou que mais de mil famílias estão assentadas na região e usufruindo da plantação de mamão, de girassol e também da produção de peixes. A renda mensal, segundo Lula, chega a quase R$ 800. “Você tem sempre alguma coisa para estar vendendo no mercado”, disse ele.

“É um exemplo que queremos continuar incentivando no Brasil. É por meio dessas coisas que você leva para os pequenos produtores, nos lugares mais longínquos do Brasil, que você consegue ter o desenvolvimento e dar um salto de qualidade na vida das pessoas

Transnordestina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também afirmou durante o programa que o início das obras da ferrovia Transnordestina representa “uma revolução” no Nordeste brasileiro.Ele lembrou que o projeto envolve vários estados por meio da construção de 1.728 quilômetros de ferrovia.

“Por ali você vai transportar toda a produção da região, de um estado para outro. Por trás da ferrovia, vê-se o desenvolvimento das cidades. Como queremos gerar emprego e distribuir renda, ficou acertado que vamos trabalhar o mais intensamente possível para entregar a rodovia. Gerar empregos e renda em uma região que precisa”, afirmou Lula.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Aprovação de Lula chega a 84% e bate novo recorde histórico, mostra pesquisa

Pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira (3) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu uma nova aprovação recorde da população. Segundo o levantamento, 84% aprovam o desempenho pessoal do presidente. É a melhor avaliação já atingida por um ocupante da presidência desde o início da pesquisa, em 2001.

Na última pesquisa, em dezembro passado, a avaliação pessoal de Lula era de 80,3%. Quando Lula assumiu o governo, em janeiro de 2003, sua aprovação pessoal era de 83,6%.
A avaliação do governo Lula também bateu recorde. O levantamento revela que, para 72,5% dos entrevistados, a gestão do presidente é positiva, o que aponta para um aumento de 1,4 ponto percentual em relação ao levantamento anterior.

Na outra ponta, apenas 6,4% dos entrevistados consideram o governo negativo. Para 21,5% do público, é regular.
A série histórica da pesquisa destacou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nunca conseguiu manter a rejeição a seu governo abaixo do 23%.

Otimismo
A pesquisa mostra ainda que, apesar do intenso noticiário sobre os efeitos da crise internacional no país, a maioria dos brasileiros se mostra otimista quanto ao futuro. De acordo com as respostas de 2 mil entrevistados, 65,4% acham que o ano de 2009 será melhor que o de 2008. Somente 17,7% acreditam que o ano que vem será igual a 2008, enquanto 12,4% responderam acreditar que será pior.
Segundo a pesquisa, 57% dos brasileiros têm acompanhado a crise financeira mundial. Destes, 37,9% dos entrevistados dizem que o Brasil está preparado para lidar com o problema, e 40% pensam o contrário.
Quando a pergunta é se o país sairá fortalecido da crise em relação a outros países, 41,9% responderam que sim, enquanto 27,5% disseram que sairá enfraquecido e 20,1% consideram que o país continuará “igual”.

A pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 12 de dezembro. Foram entrevistadas 2.000 pessoas em 136 municípios de 24 estados. A margem de erro é de três pontos percentuais.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Novo teto para entrada no Bolsa Família elevará em 1,3 milhão número de atendimentos

O aumento no teto da faixa de renda para ingressar no Bolsa Família vai representar 1,3 milhão a mais de famílias beneficiadas neste ano, segundo informou o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

O governo decidiu na quarta-feira (28) elevar de R$ 120 para R$ 137 o limite de renda mensal per capita das famílias beneficiadas.Com isso, em 2009, o governo gastará com o programa R$ 549 milhões a mais. O total que seria pago pelo Bolsa Família neste ano, calculado em R$ 11,8 bilhões, passou, com aumento, para R$ 12,3 bilhões.

Atualmente, 11 milhões de famílias são beneficiadas pelo Bolsa Família. Com o aumento, o programa passará a abranger 12,3 milhões no decorrer deste ano. A inclusão das novas famílias será feita de forma escalonada. Em maio, serão incluídas 300 mil. Em agosto, 500 mil e mais 500 mil em outubro.

A decisão política de ampliar o programa foi tomada hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião com o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. Também estavam presentes os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, além de técnicos da área econômica.

O governo mexeu no valor da renda, mas não alterou o valor do benefício pago. Continua valendo o benefício básico de R$ 62 para as famílias consideradas miseráveis, com renda mensal de até R$ 60 por pessoas.

O benefício variável de R$ 20 foi mantido para as famílias com renda mensal per capita de até R$ 137. Pago às famílias com filhos de até 15 anos, no limite de até três filhos nessa faixa etária, o benefício é complementar aos valores estabelecidos pelo programa, que variam de R$ 20,00 a R$ 182,00.

O governo também manteve o benefício variável vinculado ao adolescente, equivalente a R$ 30. Esse valor é pago a todas as famílias do programa com adolescentes de 16 e 17 anos matriculados na escola – o limite é de até dois filhos nessas condições.

Ainda não foi definido o mecanismo a ser utilizado para alteração da regra de acesso ao programa, nem quando o aumento da faixa se tornará oficial.


Agência Brasil

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Governo libera R$ 100 bilhões para BNDES financiar investimentos no país

O Diário Oficial da União desta sexta-feira (23) traz publicada a medida provisória que libera R$ 100 bilhões para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou na quinta-feira (22) decisão de se fazer o aporte de R$ 100 bilhões do Tesouro Nacional ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os recursos vão beneficiar os projetos nos setores de gás, petróleo, energia elétrica, máquinas e equipamentos e investimentos industriais. Os projetos a serem aprovados pelo BNDES às empresas devem explicitar quantos empregos serão gerados.

“Os empresários que contavam com recursos no mercado internacional e não têm conseguido recursos por conta da crise financeira poderão recorrer ao BNDES”, disse. Com a liberação de recursos anunciada hoje, o BNDES terá um orçamento total de R$ 166 bilhões neste ano para operações de crédito.

Segundo o ministro, o dinheiro para o BNDES virá na forma de títulos públicos e de superávit financeiro do Tesouro, que receberá de volta o dinheiro no futuro. O superávit financeiro é o dinheiro que o governo economiza para pagar os juros da dívida pública (superávit primário), mas que fica parado no caixa.

O BNDES terá de pagar 70% dos R$ 100 bilhões com a correção de Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais um prêmio 2,5% ao ano, o que resulta numa taxa final de 10,75% ao ano. Os 30% restantes do aporte ao BNDES serão corrigidos pelo custo de captação de recursos do Tesouro Nacional no exterior (em torno de 6% ao ano). “É assim que enfrentamos a crise, com a manutenção de investimentos”, disse Mantega.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Salário Mínimo vai subir 12% !

O reajuste de 12% no salário mínimo nacional deve injetar cerca de R$ 27 bilhões na economia em 12 meses, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os cálculos, feitos pela entidade levam em consideração um contigente de mais de 43 milhões de pessoas que têm seu rendimento referenciado no mínimo.

A medida provisória autorizando o aumento dos atuais R$ 415 para R$ 465 a partir de 1 fevereiro pode ser assinada nos próximos dias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo sindicalistas que participaram de reunião com o governo na segunda-feira (19). "É uma boa notícia em tempos de turbulência. Trata-se de mais um elemento anticíclico da crise", comenta do coordenador de educação do Dieese, Nelson Karan.

Se confirmado, o novo valor garantirá um ganho real de quase 6%, o maior desde 2006, quando o aumento foi de 13,04%. No ano passado, essa variação foi menor, de 4%, com reajuste nominal de 9,21% e inflação de 4,98%, de acordo com dados do Dieese.

A combinação de aumento maior do salário mínimo e taxas menores de inflação deve evitar uma forte desaceleração do rendimento de 2008 para 2009. O economista Fábio Romão, da LCA Consultores, prevê uma expansão de 2% para o rendimento do trabalho neste ano, após alta de 2,6% em 2008.

"Além disso, o período de competência do mínimo será antecipado de março em 2008 para fevereiro neste ano. Será um valor maior sendo pago antes", afirma. A expectativa é ainda de uma redução da pressão inflacionária neste ano. Após elevação de 5,9% no ano passado, o IPCA deve encerrar 2009 com uma alta de 4,8%.

A LCA prevê que o grupo alimentação e bebidas, que tem maior peso no orçamento da população de baixa renda, apresente aumento de 5,6% neste ano, ante taxa superior a 10% em 2009. "É claro que ritmo de atividade será menor. Na nossa avaliação, a indústria e a construção civil são os principais setores afetados, mas comércio e serviços devem desacelerar em menor proporção pois estarão apoiados no consumo interno", afirma.

Política de valorização
Com a elevação em 2009, o ganho real acumulado de abril de 2002 a fevereiro deste ano deve chegar 45%, resultado de um aumento nominal de 132% e uma inflação de 60%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), segundo Karan.

O coordenador do Dieese afirma que a valorização do mínimo decorre das negociações feitas entre centrais sindicais e governo. Em 2007, ficou estabelecido que o salário mínimo passaria a ser reajustado pela inflação e o aumento pela variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Além disso, a política prevê a antecipação da data base de sua correção, a cada ano, até ser fixada em janeiro, o que acontecerá em 2010.

"Em 1995, o salário mínimo comprava uma 1,02 cesta básica. No ano passado, ele correspondia a 1,74 cesta. É uma diferença importante no poder de compra", afirma Karan.

Portal Terra

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Paulistão 2009

Soberano nas últimas cinco edições do Campeonato Brasileiro, quando arrematou a taça de campeão com Santos (2004), Corinthians (2005) e São Paulo (2006, 2007 e 2008), o futebol paulista é considerado um dos mais fortes do país. Por consequência, seu campeonato estadual figura entre os mais difíceis e equilibrados do território nacional.

Às vésperas do início de mais um Paulistão, os integrantes da elite, sejam eles os chamados ‘grandes’, como Santos, Palmeiras, Corinthians, Portuguesa e São Paulo, ou os ‘azarões’, como Marília, Botafogo, Barueri, São Caetano e Santo André, estão se movimentando para reforçar seus elencos e entrar com o pé direito na primeira competição oficial de 2009.

A ‘fonte’ mais explorada por grande parte dos times paulistas foi justamente um centro que há muito tempo não é rotulado como principal força do país, mais pela desorganização fora de campo do que pelos talentos que possui dentro das quatro linhas: o Rio de Janeiro.

À exceção do Palmeiras, que preferiu apostar nas revelações de Salvador e Curitiba, trazendo jogadores como Marquinhos, Williams, Keirrison e Maurício, mas tem no grupo os cariocas Wanderley Luxemburgo, Lenny e Diego Souza, os demais grandes do estado reforçaram seus elencos com jogadores que estavam na capital carioca na última temporada.

Para o técnico Wanderley Luxemburgo, os ‘novos paulistas’ têm tudo para fortalecer ainda mais o já alto nível do campeonato. “Acredito na adaptação rápida desses jogadores no futebol paulista, pois alguns deles, como são os casos do Washington e do Lúcio Flávio, já tiveram experiências em outros estados”, comentou, citando a passagem do novo centroavante do São Paulo e do meia contratado pelo Santos pelo futebol do Paraná.

“Os jogadores de outros estados, como do Nordeste, encontram mais dificuldades em São Paulo. Até pelo estilo de vida mais descontraído do carioca, é mais fácil a adaptação deles aqui”, completou o atual treinador tricampeão paulista.

Timão ‘Fenomenal’

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Ronaldo Fenômeno
Principal contratação do Corinthians, Ronaldo ainda deve demorar para estrear no Paulistão

O Corinthians, empolgado com o retorno à Série A do Brasileirão, dará ao Paulistão um sotaque não apenas carioca, mas ‘fenomenal’. Revelado pelo Social Ramos, Ronaldo ‘Fenômeno’, ainda juvenil, jogou pelo São Cristovão, de onde partiu para o Cruzeiro e, de lá, para conquistar fama mundial.

Apesar de não ter atuado profissionalmente por nenhuma equipe grande do Rio, o jogador é o principal ícone da ‘legião carioca’ que invadiu São Paulo ao final de 2008 e, sem dúvida, o grande nome do futebol paulista e brasileiro para a temporada.

Perto de fazer sua estreia nos campos paulistas, Ronaldo garantiu estar pronto para as cobranças. “Não tenho medo de atuar no futebol paulista. Jogarei sempre que o treinador me escalar, sem exigência nenhuma”, prometeu.

O ‘Fenômeno’ também não teme os gramados castigados que costumam caracterizar os duelos contra os times de menor expressão no Paulistão. “Sou humilde demais para me negar a jogar em qualquer campo. Quando eu era criança, jogava na rua, em cima do paralelepípedo e descalço. Perdia quase todas as unhas do pé”, brincou. “Além disso, na Europa também há muitos campos ruins”, completou o ex-atleta, que já desfilou seu talento por campos da Holanda, Itália e Espanha.

Ao seu lado, os conterrâneos Túlio e Jorge Henrique, ex-destaques do Botafogo, tentarão levar o Timão ao seu 26º título estadual. “Quando estava no Rio de Janeiro, eu tinha a clara impressão de que o futebol paulista era mais organizado. Sem dúvida, está mesmo à frente do futebol carioca. O futebol de São Paulo é o que tem o melhor nível e poder jogar aqui representa um orgulho e uma felicidade muito grande para mim”, admitiu Túlio.

Sua felicidade em defender o Corinthians é tanta que o jogador admitiu o desejo de encerrar sua carreira com a camisa do Alvinegro. “Tenho 32 anos e devo jogar futebol só por mais estes dois anos (tempo do contrato com o clube). Espero que eles sejam recheados de títulos, e, por isso, vim para o Corinthians, pois acredito que vamos brigar para ser campeões em todas as competições já em 2009”.

Base do algoz

Tricampeão nacional, o São Paulo foi buscar no maior algoz da temporada passada três nomes de peso para tentar abocanhar o título que não vê desde 2005. Do Fluminense, chegaram para reforçar o Tricolor do Morumbi o lateral-esquerdo Júnior César, o volante Arouca e o atacante Washington.

Agora ‘paulistas’, Júnior César e Arouca não têm dúvidas sobre a diferença entre o futebol de São Paulo e do Rio de Janeiro. “São Paulo é o centro do futebol brasileiro e é claro que esse foi um dos motivos que me trouxe”, admitiu Arouca. “O futebol paulista é o de maior visibilidade do Brasil e o mais competitivo”, emendou Júnior César.

Assim como os antigos companheiros de Laranjeiras, o atacante Washington, que já defendeu as cores da Ponte Preta, enalteceu a chegada de reforços de alto nível para a disputa do Paulistão. “Todas estas contratações que estão chegando nos grandes times estão sendo muito boas. E quem ganha é o torcedor de São Paulo. Com certeza podem esperar grandes jogos porque é um campeonato com grandes jogadores”.

Também vieram do Rio de Janeiro o lateral-direito Wagner Diniz, rebaixado à Série B com o Vasco da Gama, e o zagueiro Renato Silva, que recebeu sondagens de Santos e Corinthians antes de trocar o Botafogo pelo São Paulo.

Na Vila, novo ‘maestro’

Se não conseguiu levar Renato Silva para reforçar sua defesa, o Santos obteve sucesso em outras frentes e desfalcou dois clubes cariocas em 2009. Do Botafogo, vieram o lateral-esquerdo Triguinho, opção para uma eventual saída do titular Kléber, e o meia Lúcio Flávio, contratado para ser o maestro do setor.

Após uma passagem frustrante pelo São Paulo e de ter vivido altos e baixos no São Caetano, Lúcio Flávio sonha em vestir a camisa dez e, em sua volta ao futebol paulista, fazer jus ao uniforme que já trajou o melhor jogador de todos os tempos: Pelé.

“Não sou digno de amarrar as chuteiras do Pelé, pois nada se compara a ele, mas, no Botafogo, tive a chance de usar a camisa sete, que foi do Garrincha. Se eu puder usar a dez que foi do Pelé, serei um privilegiado”, comentou.

Sobre as diferenças entre o futebol paulista e o do restante do país, o ex-jogador do Botafogo foi direto: “O Campeonato Paulista é diferente, pois as equipes do interior sempre montam bons times e começam a trabalhar bem antes. Isso deixa a competição bastante equilibrada e disputada”.

Também desembarcaram na Vila Belmiro o polivalente Madson, um dos poucos destaques do Vasco na campanha que culminou com a queda da equipe para a Segunda Divisão Nacional, e Luizinho, lateral-direito reserva de Léo Moura no Flamengo. Na linha ofensiva, Roni, que estava no futebol japonês mas viveu sua melhor fase defendendo o Fluminense, briga com o equatoriano Bolamos para ser o novo parceiro de Kléber Pereira.

A Portuguesa de Desportos, rebaixada novamente para a Segunda Divisão no Campeonato Brasileiro, quer usar o estadual para mostrar que ainda é um dos grandes times do estado. Para isso, manteve Estevam Soares no comando e o experiente Athirson, ex-Flamengo e Botafogo, na lateral esquerda, além de buscar o volante Ygor no Fluminense e renovar o empréstimo de Felype Gabriel junto ao Flamengo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Brasil é o único em 35 países a escapar de forte desaceleração econômica, diz OCDE

As perspectivas econômicas para o Brasil continuam mais positivas do que para os países ricos e outras grandes economias emergentes, como a China, Índia e Rússia, segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgada nesta segunda-feira (12) em Paris. A organização prevê que o Brasil é o único dos 35 países analisados no novo Indicador Composto Avançado que não deverá registrar forte desaceleração econômica nos próximos seis meses.

"Os Indicadores Compostos Avançados em relação a novembro de 2008 sinalizam uma desaceleração profunda nas sete grandes economias mundiais e para as grandes economias que não são membros da OCDE, principalmente a China, a Índia e a Rússia", afirma o relatório.

Já em relação ao Brasil, como havia previsto no início de dezembro passado, com dados relativos a outubro de 2008, a OCDE estima que o país deverá registrar apenas uma "leve desaceleração" de sua atividade econômica.

Apesar disso, o Indicador Composto Avançado em relação ao Brasil caiu 1,1 ponto em novembro na comparação com os dados do mês anterior e está 2,9 pontos abaixo do nível registrado há um ano.

Mas o Brasil é o único do grupo das 29 economias que integram a OCDE e os seis países não-membros da organização analisados neste último relatório que ultrapassa a barreira de 100 pontos, utilizada como referência para classificar o nível de atividade econômica dos países.

Neste novo indicador, o Brasil totaliza 101,2 pontos, enquanto os demais 34 países estão abaixo dos 100 pontos. No relatório anterior, o Brasil registrava 102,3 pontos.

Segundo a metodologia para o cáculo do índice, os países que registrarem queda, mas mantiverem o indicador acima de 100 registram "leve desaceleração". Os que tiverem redução de atividade econômica e ficarem abaixo de 100 pontos recebem a classificação de "desaceleração", que pode ser caracterizada como forte em função do número de pontos perdidos.
Para calcular o Indicador Composto Avançado, a OCDE leva em conta vários indicadores econômicos de curto prazo ligados ao Produto Interno Bruto (PIB), como a produção industrial, por exemplo.
Outros países

A queda de 1,1 ponto registrada pelo Brasil em novembro é, no entanto, menor que a de outras grandes economias emergentes. O Indicador Composto Avançado da China diminuiu 3,1 pontos em novembro e está 12,9 pontos abaixo do nível verificado há um ano.
No caso da Índia, a queda foi de 1,2 ponto em novembro, mas totaliza 7,6 pontos na comparação anual. A Rússia registra a maior queda entre os grandes emergentes que não são membros da OCDE, com uma redução de 4,3 pontos em novembro e de 13,8 pontos na comparação com os últimos 12 meses.

Para os países que integram a OCDE, a queda em novembro foi de 1,3. Na comparação com o nível registrado em novembro de 2007, a redução é de 7,3 pontos.

Os Estados Unidos totalizam uma queda de 1,7 em novembro e estão 8,7 pontos abaixo do nível verificado há um ano.

Nos países da zona do euro, o indicador diminuiu 1,1 ponto em novembro passado e está 7,6 pontos abaixo do total registrado na comparação anual, segundo a OCDE.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O horror diante dos olhos

As causas, o desespero e os prejuízos do dilúvio que
atingiu o coração de Santa Catarina, um dos estados
mais prósperos e desenvolvidos do Brasil


Igor Paulin e Duda Teixeira, de Santa Catarina, e José Edward

Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem

Salvação pelo ar
Uma família de desabrigados da área de Alto Baú, em Ilhota, é resgatada por helicóptero da Força Aérea





Na era das grandes navegações, a palavra "procela" entrou para o vocabulário da língua portuguesa. Procelas são as fortes tempestades que se formam em alto-mar. Na semana passada, uma procela se adensou, não sobre o oceano, mas nos céus da próspera Santa Catarina. Quando ela despencou sobre as cidades, foi com uma fúria e constância jamais vistas, mesmo numa região historicamente sujeita a precipitações caudalosas e enchentes. Apenas na Blumenau dos laboriosos imigrantes alemães, caíram, em cinco dramáticos dias, 300 bilhões de litros de água. Sim, bilhões – o suficiente para abastecer a cidade de São Paulo durante três meses. Outra comparação é ainda mais impressionante: se esse volume hídrico fosse despejado dentro de uma torre com uma base de 1 metro quadrado de área, a construção teria de ter 300.000 quilômetros de altura – quase a distância entre a Terra e a Lua. A primeira das mais de 100 vidas ceifadas por tamanho horror foi a da menina Luana Eger, de 3 anos. No sábado 22, um barranco deslizou sobre a casa em que ela morava, soterrando-a. A mãe de Luana, Virgínia, e seus irmãos Juan, de 7 anos, e Rafael, de 5, escaparam da morte. Seu pai, o comerciário Evandro Eger, estava fora da cidade quando soube do desastre. Restou-lhe comprar num supermercado o vestido cor-de-rosa com o qual enterrou a filha no dia seguinte. "Era a cor preferida dela", disse ele. Evandro e Virgínia ainda conseguiram dar um funeral razoavelmente digno à menina. Muitas das vítimas foram enterradas em caixões improvisados, e nem sempre em cemitérios, mas em quintais. Até sexta-feira, dezenove pessoas continuavam desaparecidas. Boa parte delas pode ter sucumbido em decorrência de afogamentos e dos 4.000 deslizamentos registrados no estado. Somados, desabrigados e desalojados chegam a 79.000. Dos 293 municípios do estado, 49 foram atingidos. Catorze deles decretaram estado de calamidade pública. Nessas cidades, os sobreviventes lutam contra a fome e doenças pestilentas. E, como se não bastasse a desgraça, tentam evitar saques no que sobrou de suas casas e negócios.

Foi a maior calamidade já ocorrida em Santa Catarina, que registra grandes enchentes desde 1852. Em que pese o que possa ter havido de desídia ou incompetência por parte das autoridades na prevenção da tragédia, ela foi, sobretudo, resultado de uma combinação catastrófica de dois fatores – um meteorológico e outro geográfico. O primeiro começou a tomar forma no dia 20 de novembro, quando um anticiclone estacionado em alto-mar, na altura do Rio Grande do Sul e do Uruguai, levou chuvas para o litoral catarinense. Anticiclones são sistemas de alta pressão que, no Hemisfério Sul, originam ventos em sentido anti-horário. Eles são comuns no litoral catarinense e no gaúcho, de onde sopram ventos do Oceano Atlântico em direção ao continente. Isolados, não têm a força de causar grandes estragos e sua duração numa mesma região não costuma ultrapassar três dias. Só que, desta vez, por causa de um bloqueio atmosférico, isso não ocorreu. Até sexta-feira, o anticiclone permanecia no mesmo lugar. Ainda que extraordinária, sua longa permanência não teria causado a tragédia não fosse o fato de um segundo fenômeno – o vórtice ciclônico – ter ocorrido simultaneamente a ele. Ao contrário do anticiclone, o vórtice ciclônico é um sistema de baixa pressão que atrai ventos e gira no sentido horário. Como indica o nome, ele funciona como um redemoinho em altitudes médias, e também não é um fenômeno estranho à região. O problema surgiu da combinação com o anticiclone: o vórtice ciclônico suga os ventos imediatamente abaixo dele, levando-os para cima, resfriando-os e – de novo – provocando chuvas. Foi assim, por meio da ação extraordinariamente simultânea de dois fenômenos ordinários, que os índices pluviométricos na região atingiram patamares de dilúvio.

Fotos Moacyr Lopes Júnior-Folha Imagem e David J. Phillip-AP

À SEMELHANÇA DO KATRINA
Vista aérea do município catarinense de Itajaí, um dos mais castigados pela chuva. No destaque, a cidade americana de Nova Orleans, na Louisiana, um dia depois da passagem do furacão Katrina, em 2005. Lá, os mortos passaram de 1 300

O perfil geográfico era o detalhe que faltava para desenhar a tragédia. A camada superficial que recobre o solo do Vale do Itajaí, a região mais afetada pelas chuvas, é de composição argilosa – o que faz com que se desloque mais facilmente. Encharcada pela chuva forte e constante, essa camada ficou mais pesada. Somem-se a isso a declividade das encostas, os desmatamentos, as ocupações desordenadas e o resultado são deslizamentos destruidores, o principal causador das mortes no litoral catarinense e no Vale do Itajaí. O risco passou despercebido das autoridades. Já sob chuva grossa, pouco antes da morte da menina Luana, a Defesa Civil garantiu à população de Blumenau que não havia perigo. No fim da tarde daquele sábado, porém, o nível dos córregos que cortam a cidade começou a subir rapidamente. O Rio Itajaí-Açu transbordou as barragens e, em poucas horas, elevou-se 12 metros acima de seu nível normal. As chuvas provocaram deslizamentos e desmoronamentos. Como 40% da população local reside em encostas, todas as classes sociais foram afetadas.

A tormenta levou vidas e deixou, em seu lugar, histórias pungentes. No domingo 23, o operário André Oliveira, de 29 anos, deixou a família na casa de um parente, no município de Gaspar, e foi ao mercado. A poucos passos do portão, ouviu um estrondo. Ao olhar para trás, viu a mulher na varanda e os filhos no quintal. "Saiam daí", gritou. Não deu tempo. O morro próximo veio abaixo soterrando, além da sua casa, uma dezena de outras. Oliveira ainda ouviu o choro da filha de 3 anos, Ester. Tentou tirá-la dos escombros, mas dois novos desabamentos se sucederam. Quando resgatou os corpos, viu que sua mulher morrera abraçada à menina. "Ainda não parei de chorar", disse ao repórter Duda Teixeira.

Jonathas Cesario/Reuters

ARCA DE NOÉ
Gado procura abrigo na sede de fazenda alagada perto de Itajaí-Açu, localizada na foz do Rio Itajaí. A cidade teve 80% do seu território inundado: a subida das marés bloqueou o escoamento da água do rio para o mar, causando o seu transbordamento para as margens

Na cidade de Ilhota, mais especificamente no bairro do Baú, registrou-se o maior número de óbitos: 32. Foi lá que o caminhoneiro Zairo Zabel, de 37 anos, perdeu a mulher e os dois filhos, de 13 e 7 anos. Também no domingo passado, Zabel voltava para junto da família quando soube da enchente. Largou o caminhão no meio da estrada e arrastou-se por 12 quilômetros com água na cintura, até descobrir que sua casa havia sido tragada por uma avalanche. O corpo de seu filho mais velho, Marques, foi encontrado boiando pelos vizinhos. O do mais novo e o de sua mulher ainda estão possivelmente debaixo dos destroços. "Só sobrei eu", chorou Zabel, em conversa com o repórter Igor Paulin. No dia seguinte, a catástrofe aniquilou outra família na cidade de Rodeio. Um morro desfez-se sobre a propriedade mantida há mais de um século pelos descendentes dos Eccel, italianos que chegaram ao Brasil em 1885. Sob uma viga da casa, morreram abraçados o casal Dario e Giacomina e suas filhas Kendy, de 15 anos, e Kelly, de 7. Kevin, de 13, conseguiu escapar, mas ainda se lembra da mãe gritando "Aiuto!", socorro em italiano. Da família, além do garoto, só restou Keylla, de 5 anos, que se salvou do desastre.

Os prejuízos econômicos da catástrofe ainda não podem ser calculados em toda a sua extensão. O governo estadual estima que precisará, por baixo, de 280 milhões de reais apenas para reconstruir estradas, pontes e outras obras de infra-estrutura. A conta não inclui a reparação do Porto de Itajaí. Maior do país no setor pesqueiro e vice-líder em movimentação de contêineres, o Itajaí perdeu três de seus quatro berços. Estão parados lá 100 dos 450 contêineres que a Embraco, líder mundial na produção de compressores herméticos, exporta por mês. Outros sessenta contêineres de matérias-primas importadas esperam para ingressar no país. Só para recompor o porto são necessários 300 milhões de reais. Enquanto seus cais estão interditados, o país perde 77 milhões de reais por dia em exportações. A empresa estadual de gás de Santa Catarina ainda terá de gastar 50 milhões de reais para sanar o rompimento da tubulação num dos trechos do gasoduto Brasil-Bolívia. Levará três semanas para que o fornecimento desse ramal seja restabelecido. Até lá, as indústrias de cerâmica do estado, que dependem de gás para produzir, perderão 7 milhões de reais por dia. Os agricultores projetam prejuízos de 200 milhões de reais, a indústria têxtil, de 136 milhões, e o turismo, de mais de 120 milhões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobrevoou as áreas destruídas quatro dias depois de a calamidade se abater sobre o estado. Afirmou que liberaria 2 bilhões de reais para socorrer Santa Catarina. Quando as águas baixarem de vez, os catarinenses precisarão secar as lágrimas para reconstruir sua linda terra.

Fotos Hermínio Nunes/Ag.RBS/AE, Patrick Rodrigues/Ag. Rbs, Marco Gamborgi/Mafalda Press, Piero Ragazzi/Mafalda Press/EFE e Artur Moser/Ag. RBS/AE

Lama, destruição e fome
Carros esmagados, casas soterradas e água por toda parte. À direita, moradores de Itajaí saqueiam supermercado

Fotos Marcos Porto/Ag. RBS, Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem e Fernando Donasci/Folha Imagem

Uma ilha de corpos
Cenário de 32 mortes, o bairro do Baú, em Ilhota, foi evacuado por ar. No alto, o resgate de um bebê. À esquerda, o corpo de uma das vítimas sobre um teto. À direita, uma mulher chora a perda de sua casa

Reprodução

A primeira vítima
Luana Eger, de 3 anos, morreu na tarde do dia 22, soterrada nos escombros de sua casa, em Blumenau. Seu nome encabeça a lista de mais de uma centena de pessoas que sucumbiram na tragédia

Guto Kuerten/Ag. RBS

NEGÓCIOS PARADOS
O Porto de Itajaí teve três de seus quatro berços destruídos: perda de 77 milhões de reais por dia em exportação

Flávio Neves/Ag. RBS/AE

Fila de túmulos
Acima, as covas abertas na cidade de Gaspar para os que morreram soterrados. O presidente Lula observou uma área atingida pelos alagamentos em um vôo de helicóptero no quinto dia da calamidade

Ricardo Stuckert/PR

Tarcisio Mattos/Tempo Editorial

O pior dos pesadelos
Zairo Zabel perdeu a família. Seus vizinhos encontraram o corpo de seu filho mais velho boiando na enchente. O de seu caçula e o de sua mulher ainda estão soterrados

FONTE: http://veja.abril.uol.com.br/031208/p_084.shtml

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Carta do Apóstolo Edson de Blumenau da Primeira Igreja Batista

Amados irmãos,
Apóstolo Edson e Ilana Mesquita



Blumenau vive um momento trágico. Não há precedentes na história de nossa cidade. Palavras jamais poderiam expressar as cenas diante de nossos olhos.

Finalmente, consegui um ponto de internet, depois de dois dias ilhado, totalmente isolado de minha família e dos irmãos. Fomos celebrar um casamento sábado à noite no interior da cidade vizinha de Gaspar e não conseguimos mais retornar. Minha esposa ainda está lá, longe de casa, até que as estradas sejam liberadas. Cheguei à minha casa um pouco a pé, um pouco de carona, passando por muita lama, barreiras, áreas alagadas... Graças a Deus encontrei meus familiares bem. Vários irmãos que estavam em retiros no final de semana estão ilhados e isolados desde sábado.

O que aconteceu em Blumenau é algo inexplicável. Os montes simplesmente vieram abaixo. Não foi uma enchente como todas as outras que já atingiram nossa cidade no passado.

Para que vocês tenham uma idéia, vou tentar explicar: As enchentes acontecem quando o Rio Itajaí Açu transborda. Aos poucos a água vai atingindo os pontos mais baixos a partir do rio, ou seja, de baixo para cima. As enxurradas são águas que vêm de cima para baixo. O que aconteceu aqui foram as duas coisas.

Há três meses chovia sem parar em toda a região. Era uma chuva fraca, mas, aos poucos, foi encharcando o solo até que ficou sem a possibilidade de absorver mais a água que caía. No sábado à tarde, dia 22, uma enxurrada caiu sobre a cidade e as montanhas começaram a cair, arrastando casas inteiras com as famílias em seu interior. Mas isso foi apenas o começo. Depois daquela, sucessivas enxurradas começaram a cair durante toda a noite de sábado e o dia de domingo. Os ribeirões, afluentes do Rio Itajaí, transbordaram, ao mesmo tempo em que o nível do Rio Itajaí subia com as águas que desciam das chuvas que caiam no Alto Vale. As águas da enxurrada não tinham vazão e a correnteza foi arrastando tudo o que vinha pela frente.

Olhando ao redor, parece que não ficou um ponto onde os montes não deslizaram. Não são áreas de risco, desmatadas, mas áreas com vegetação espessa, abundante, bem florestadas, que vieram abaixo. A vegetação não segurou as montanhas. É inexplicável e indescritível toda essa situação. Ricos e pobres foram atingidos.

Estamos dando suporte às pessoas atingidas na medida do possível. Milhares de pessoas perderam suas casas com tudo que tinham. Diferente das outras enchentes, elas não tem para onde ir agora. Os que conseguiram sair de suas casas apenas com a roupa do corpo estão agradecidos a Deus por suas vidas.

Ainda estamos, aos poucos, tomando conhecimento da situação. A comunicação é bem precária. Não há água potável nem luz. E não se tem previsão certa de quando tudo será normalizado. O lodo cobre a maioria das ruas e casas.

Como profetas, sabemos que tudo o que acontece no reino físico é uma mensagem do reino espiritual. Assim como Jó, no momento da aflição, se aproximou de Deus para depois conhecê-Lo na intimidade e dizer: “Agora meus olhos te vêem...”, cremos também que esta tragédia inclinará o coração desta cidade para Deus. Blumenau será chamada Cidade do Senhor.

O Senhor mudará nossa sorte! Não só nos restituirá, mas nos levará debaixo de um temor nunca antes experimentado para uma restituição em dobro, assim como fez com Jó.

Temos plena consciência de nossa responsabilidade sobre este território. Não ignoramos o que pode causar as catástrofes. Por favor, orem por nós, orem pela igreja em Blumenau, para que haja arrependimento. Orem pelos sacerdotes, para que exerçam seu papel de chorarem entre o pórtico e o altar e cessarem as competições, e divisões, e invejas, e amarguras..., para que venha a restauração e a restituição. Orem pela nossa unidade, pois é assim que conquistaremos esse território e veremos todo joelho se dobrando e toda língua confessando que Jesus Cristo é o Senhor.

Obrigado por ouvirem nosso apelo.
Fiquem na paz,