quarta-feira, 13 de outubro de 2010
DILMA E A FÉ CRISTÃ
Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte. Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência.
Anos depois, Dilma e eu nos encontramos no Presídio Tiradentes, em São Paulo. Ela na ala feminina, eu na masculina, com a vantagem de, como frade, obter permissão para, aos domingos, monitorar celebração litúrgica na Torre, como era conhecido o espaço que abrigava as presas políticas.
Aluna de colégio religioso na juventude, dirigido pelas freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava ativamente de orações e comentários do Evangelho. Nada tinha de “marxista ateia”. Aliás, raros os presos políticos que professavam convictamente o ateísmo. Nossos torturadores, sim, o faziam escancaradamente ao profanarem, com toda violência, os templos vivos de Deus: suas vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.
Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula.
De nossa amizade posso assegurar que não passa de campanha difamatória – diria mesmo, terrorista – acusar Dilma Rousseff d e “abortista” ou contrária aos princípios evangélicos. Se um ou outro bispo critica Dilma, há que lembrar que, por ser bispo, nenhum homem é santo.
Poucos bispos na América Latina apoiaram ditaduras militares, absolveram torturadores, celebraram missa na capela de Pinochet... Bispos também mentem e, por isso, devem, como todo cristão, orar diariamente “perdoai as nossas ofensas...”
Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica. Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que “a árvore se conhece pelos frutos”, como acentua o Evangelho. É na coe rência de suas ações, na ética de seus procedimentos políticos, na dedicação ao povo brasileiro, que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam.
Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: que, se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria sítios e fazendas produtivos; implantaria o socialismo por decreto...
Passados quase oito anos, o que vemos? Vemos um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.
Nas breves semanas que nos separam hoje do segundo turno, forças de oposição ao governo Lula haverão de fazer eco a todo tipo de boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em toda a trajetória de Dilma, em tudo que ela realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.
Certa vez, relata o evangelista Mateus, indagaram de Jesus quem haveria de se salvar. Para surpresa dos que o interrogaram, ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem disse que seriam aqueles que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem disse que seriam aqueles que se julgam donos da doutrina cristã e se arvoram em juízes de seus semelhantes.
A resposta de Jesus surpreendeu-os: “Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; nu e me vestistes; oprimido, e me libertastes...” (Mateus 25, 31-46)
Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos uma vida digna e feliz.
Isso o governo Lula tem feito, segundo opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção.
Frei Betto é escritor, autor de “Um homem chamado Jesus” (Rocco), entre outros livros - www.freibetto.org
twitter:@freibetto
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Desmonte de uma falácia
D. DEMÉTRIO VALENTINI
(Bispo diocesano de Jales)
Membro da Pastoral Social da CNBB
A questão do aborto está sendo instrumentalizada para fins eleitorais. Esta situação precisa ser esclarecida e denunciada.
Está sendo usada uma questão que merece toda a atenção e isenção de âninom para ser bem situada e assumida com responsabilidade, e que não pode ficar exposta a manobras eleitorais, amparadas em sofismas enganadores.
Nesta campanha eleitoral está havendo uma dupla falácia, que precisa ser desmontada.
Em primeiro lugar, se invoca a autoridade da CNBB para posições que não são da entidade, nem contam com o apoio dela, mas se apresentam como se fossem manifestações oficiais da CNBB.
Em segundo lugar, se invoca uma causa de valor indiscutível e fundamental, como é a quesetão da vida, e se faz desta causa um instrumento para acusar de abortistas os adversários políticos, que assim passam a ser condenados como se estivessem contra a vida e a favor do aborto.
Concretamente, para deixar mais clara a falácia, e para urgir o seu desmonte: A Presidência da Regional Sul 1 da CNBB incorreu, no mínimo, em sério equívoco quando apoiou manifestação de comissões diocesanas, que sinalizavam claramente que não era para votar nos candidatos do PT, em especial na candidata DILMA.
Ora, os Bispos do Regional já tinham manifestado oficialmente sua posição diante do processo eleitoral. Por que a Presidência do Regional precisava dar apoio a um documento cujo teor evidentemente não correspondia à tradição de imparcialidade da CNBB? Esta atitude da Presidência do Regional Sul 1 compromete a credibilidade da CNBB, se não contar com urgente esclarecimento, que não foi feito ainda, alertando sobre o uso eleitoral que está sendo feito deste documento assinado pelos três bispos da presidência do Regional.
Esta falácia ainda está produzindo consequências. Pois no próprio dia das eleições foram distribuídos nas igrejas, ao arrepio da Lei Eleitoral, milhares de folhetos com a nota Regional Sul 1, como se fosse um texto patrocinado pela CNBB Nacional. E enquanto este equívoco não for desfeito, infelizmente a declaração da Presidência do Regional Sul 1 da CNBB continua à disposição da volúpia desonesta de quem a está explorando eleitoralmente. Prova deste faot lamentável é a fartura como está sendo impressa e distribuída.
Diante da gravidade deste fato, é bem vindo um esclarecedor prounciamento da Presidência Nacional da CNBB, que honrará a tradição e prudência e de imparcialidade da instituição.
A outra falácia é mais sutil, e mais perversa. Consiste em arvorar-se em defensores da vida, para acusar de abortistas os adversários políticos, para assim impugná-los como candidatos, alegando que não pode receber o voto dos católicos.
Usam de artifício, para fazerem de uma causa justa o pretexto de propaganda política contra seus adversários, e o que é pior, invocando para isto a fé cristã e a Igreja Católica.
Mas esta falácia não pára aí. Existe nela uma clara posição ideológica, traduzida em opção política reacionária. Nunca relacionam o aborto comas políticas sociais que precisam ser empreendidas em favor da vida.
Votam, sem constrangimento, no sistema que produz a morte, e se declaram em favor da vida.
Em nome da fé, julgam-se no direito de condenar todos os que discordam de suas opções políticas. Pretendem revestir de honestidade, uma manobra que não consegue esconder seu intento eleitoral.
Diante desta situação, são importantes, e necessários, os esclarecimentos. Mais importante ainda é a vigilância do eleitor, que tem todo o direito de saber das coisas, também aquelas tramadas com astúcia e malícia.
Fonte: www.jornaldejales.com.br
Edição nº 2.376 - 10 de outubro de 2010 p.1-02
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Carta aberta a Marina Silva
Marina,... você se pintou?
Maurício Abdalla [1]
“Marina, morena Marina, você se pintou” – diz a canção de Caymmi. Mas é provável, Marina, que pintaram você. Era a candidata ideal: mulher, militante, ecológica e socialmente comprometida com o “grito da Terra e o grito dos pobres”, como diz Leonardo.
Dizem que escolheu o partido errado. Pode ser. Mas, por outro lado, o que é certo neste confuso tempo de partidos gelatinosos, de alianças surreais e de pragmatismo hiperbólico? Quem pode atirar a primeira pedra no que diz respeito a escolhas partidárias?
Mas ainda assim, Marina, sua candidatura estava fadada a não decolar. Não pela causa que defende, não pela grandeza de sua figura. Mas pelo fato de que as verdadeiras causas que afetam a população do Brasil não interessam aos financiadores de campanha, às elites e aos seus meios de comunicação. A batalha não era para ser sua. Era de Dilma contra Serra. Do governo Lula contra o governo do PSDB/DEM. Assim decidiram as “famiglias” que controlam a informação no país. E elas não só decidiram quem iria duelar, mas também quiseram definir o vencedor. O Estadão dixit: Serra deve ser eleito.
Mas a estratégia de reconduzir ao poder a velha aliança PSDB/DEM estava fazendo água. O povo insistia em confirmar não a sua preferência por Dilma, mas seu apreço pelo Lula. O que, é claro, se revertia em intenção de voto em sua candidata. Mas “os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz”. Sacaram da manga um ás escondido. Usar a Marina como trampolim para levar o tucano para o segundo turno e ganhar tempo para a guerra suja.
Marina, você, cujo coração é vermelho e verde, foi pintada de azul. “Azul tucano”. Deram-lhe o espaço que sua causa nunca teve, que sua luta junto aos seringueiros e contra as elites rurais jamais alcançaria nos grandes meios de comunicação. A Globo nunca esteve ao seu lado. A Veja, a FSP, o Estadão jamais se preocuparam com a ecologia profunda. Eles sempre foram, e ainda são, seus e nossos inimigos viscerais.
Mas a estratégia deu certo. Serra foi para o segundo turno, e a mídia não cansa de propagar a “vitória da Marina”. Não aceite esse presente de grego. Hão de descartá-la assim que você falar qual é exatamente a sua luta e contra quem ela se dirige.
“Marina, você faça tudo, mas faça o favor”: não deixe que a pintem de azul tucano. Sua história não permite isso. E não deixe que seus eleitores se iludam acreditando que você está mais perto de Serra do que de Dilma. Que não pensem que sua luta pode torná-la neutra ou que pensem que para você “tanto faz”. Que os percalços e dificuldades que você teve no Governo Lula não a façam esquecer os 8 anos de FHC e os 500 anos de domínio absoluto da Casagrande no país cuja maioria vive na senzala. Não deixe que pintem “esse rosto que o povo gosta, que gosta e é só dele”.
Dilma, admitamos, não é a candidata de nossos sonhos. Mas Serra o é de nossos mais terríveis pesadelos. Ajude-nos a enfrentá-lo. Você não precisa dos paparicos da elite brasileira e de seus meios de comunicação. “Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu”.
[1] Professor de filosofia da UFES, autor de Iara e a Arca da Filosofia (Mercuryo Jovem), dentre outros.
O artigo que levou o Jornal Estado de S. Paulo a demitir Maria Rita Kehl
Republicamos o texto da colunista Maria Rita Kehl, do Estadão, por conta do qual foi demitida nesta quinta-feira. Foto: Damião A. Francisco/ divulgação
Por Maria Rita Khel*
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.
*Matéria originalmente publicada no jornal O Estado de S. Paulo e reproduzida do site O Escrevinhador
Fonte: www.construindoumnovobrasil.com.br
Por Maria Rita Khel*
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.
*Matéria originalmente publicada no jornal O Estado de S. Paulo e reproduzida do site O Escrevinhador
Fonte: www.construindoumnovobrasil.com.br
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
CARTA ABERTA A DOM DEMÉTRIO
Querido dom Demétrio
Quero publicamente agradecer-lhe as suas palavras esclarecedoras sobre a manipulação da religião católica no final da campanha eleitoral pela difusão de uma mensagem dos três bispos da comissão representativa do regional Sul I da CNBB condenando a candidata do atual governo e proibindo que os católicos votem nela.
Graças ao senhor, sabemos que essa divulgação do documento da diretoria de Sul 1 não foi expressão da vontade da CNBB, mas contraria a decisão tomada pela CNBB na sua ultima assembléia geral, já que esta tinha decidido que os bispos não iam intervir nas eleições.
Sabemos agora que o documento dos bispos da diretoria do regional Sul 2 foi divulgado no final de agosto, e durante quase um mês permaneceu ignorado pela imensa maioria do povo brasileiro.
Agora, dois dias antes das eleições, um grupo a serviço da campanha eleitoral de um candidato, numa manobra de evidente e suja manipulação, divulgou com abundantes recursos e muito barulho esse documento, criando uma tremenda confusão em muitos eleitores. Pela maneira como esse documento foi apresentado, comentado e divulgado, dava-se a entender que o episcopado brasileiro proibia que os católicos votasse nos candidatos do PT e, sobretudo na sua candidata para a presidência. Dois dias antes das eleições os acusados já não podiam mais reagir, apresentar uma defesa ou uma explicação. Aos olhos do público a Igreja estava dando o golpe que sempre se teme na véspera das eleições, quando se divulga um suposto escândalo de um candidato. Era um golpe sujo por parte dos manipuladores, já que dava a impressão de que o golpe vinha dessa feita da própria Igreja.
Se os bispos que assinaram o documento de agosto, não protestam contra a manipulação que se fez do seu documento, serão cúmplices da manipulação e aos olhos do público serão vistos como cabos eleitorais.
Se a CNBB não se pronuncia publicamente com muita clareza sobre essa manipulação do documento por grupos políticos sem escrúpulos, será cúmplice de que dezenas de milhões de católicos irão agora, no segundo turno votar pensando que estão desobedecendo aos bispos.
Seria uma primeira experiência de desobediência coletiva imensa, um precedente muito perigoso. Além disso, certamente afetará a credibilidade da Igreja Católica na sociedade civil, o que não gostaríamos de ver nesta época em que ela já está perdendo tantos fiéis.
Se o episcopado católico deixa a impressão de que a divulgação desse documento nessa circunstância representa a voz da Igreja com relação às eleições deste ano, muitos vão entender que isso significa uma intervenção dos bispos católicos para defender o candidato das elites paulistanas contra a candidata dos pobres.
Os pobres têm muita sensibilidade e sentem muito bem o que há na consciência dessas elites. Sabem muito bem quem está com eles e quem está contra eles. Vão achar que a questão do aborto é apenas um pretexto que esconde uma questão social, o desprezo das elites, sobretudo de São Paulo pela massa dos pobres deste país.
Milhões de pobres votaram e vão votar na candidata do governo porque a sua vida mudou. Por primeira vez na história do país viram que um governo se interessava realmente por eles e não somente por palavras.
Não foi somente uma melhoria material, mas antes de tudo o acesso a um sentimento de dignidade. “Por primeira vez um governo percebeu que nós existimos”. Isso é o que podemos ouvir da boca dos pobres todos os dias.
Um povo que tinha vergonha de ser pobre descobriu a dignidade. Por isso o voto dos pobres, este ano, é um ato de dignidade. As elites não podem entender isso. Mas quem está no meio do povo, entende.
Os bispos podem lembrar-se de que a Igreja é na Europa o que é, porque durante mais de 100 anos os bispos tomaram sempre posição contra os candidatos dos pobres, dos operários. Sempre estavam ao lado dos ricos sob os mais diversos pretextos. E no fim aconteceu o que podemos ver. Abandonaram a Igreja. Cuidado! Que não aconteça a mesma coisa por aqui!
Os pobres sabem, são conscientes e sentem muito bem quando são humilhados. Não esperavam uma humilhação por parte da Igreja. Por isso, é urgente falar para eles.
Uma declaração clara da CNBB deve tranqüilizar a consciência dos pobres deste país. Sei muito bem que essa divulgação do documento na forma como foi feita, não representa a vontade dos bispos do regional Sul 1 e muito menos a vontade de todos os bispos do Brasil. Mas a maioria dos cidadãos não o sabe e fica perturbados ou indignados por essa propaganda que houve.
Não quero julgar o famoso documento. Com certeza os redatores agiram de acordo com a sua consciência. Mas não posso deixar de pensar que essa manipulação política que foi a divulgação do seu documento na véspera das eleições, dava a impressão de que estavam reduzindo o seu ministério à função de cabo eleitoral. O bispo não foi ordenado para ser cabo eleitoral. Se não houver um esclarecimento público, ficará a imagem de uma igreja conivente com as manobras espúrias
Dom Demétrio, o senhor fez jus à sua fama de homem leal, aberto, corajoso e comprometido com os pobres e os leigos deste país. Por isso, o senhor merece toda a gratidão dos católicos que querem uma Igreja clara, limpa, aberta, dialogante.
Demonizar a candidata do governo como se fez, baseando-se em declarações que não foram claras, é uma atitude preconceituosa totalmente anti-evangélica.
Queremos continuar confiando nos nossos bispos e por isso aguardamos palavras claras.
Obrigado, dom Demétrio.
José Comblin, padre e pecador.
Quero publicamente agradecer-lhe as suas palavras esclarecedoras sobre a manipulação da religião católica no final da campanha eleitoral pela difusão de uma mensagem dos três bispos da comissão representativa do regional Sul I da CNBB condenando a candidata do atual governo e proibindo que os católicos votem nela.
Graças ao senhor, sabemos que essa divulgação do documento da diretoria de Sul 1 não foi expressão da vontade da CNBB, mas contraria a decisão tomada pela CNBB na sua ultima assembléia geral, já que esta tinha decidido que os bispos não iam intervir nas eleições.
Sabemos agora que o documento dos bispos da diretoria do regional Sul 2 foi divulgado no final de agosto, e durante quase um mês permaneceu ignorado pela imensa maioria do povo brasileiro.
Agora, dois dias antes das eleições, um grupo a serviço da campanha eleitoral de um candidato, numa manobra de evidente e suja manipulação, divulgou com abundantes recursos e muito barulho esse documento, criando uma tremenda confusão em muitos eleitores. Pela maneira como esse documento foi apresentado, comentado e divulgado, dava-se a entender que o episcopado brasileiro proibia que os católicos votasse nos candidatos do PT e, sobretudo na sua candidata para a presidência. Dois dias antes das eleições os acusados já não podiam mais reagir, apresentar uma defesa ou uma explicação. Aos olhos do público a Igreja estava dando o golpe que sempre se teme na véspera das eleições, quando se divulga um suposto escândalo de um candidato. Era um golpe sujo por parte dos manipuladores, já que dava a impressão de que o golpe vinha dessa feita da própria Igreja.
Se os bispos que assinaram o documento de agosto, não protestam contra a manipulação que se fez do seu documento, serão cúmplices da manipulação e aos olhos do público serão vistos como cabos eleitorais.
Se a CNBB não se pronuncia publicamente com muita clareza sobre essa manipulação do documento por grupos políticos sem escrúpulos, será cúmplice de que dezenas de milhões de católicos irão agora, no segundo turno votar pensando que estão desobedecendo aos bispos.
Seria uma primeira experiência de desobediência coletiva imensa, um precedente muito perigoso. Além disso, certamente afetará a credibilidade da Igreja Católica na sociedade civil, o que não gostaríamos de ver nesta época em que ela já está perdendo tantos fiéis.
Se o episcopado católico deixa a impressão de que a divulgação desse documento nessa circunstância representa a voz da Igreja com relação às eleições deste ano, muitos vão entender que isso significa uma intervenção dos bispos católicos para defender o candidato das elites paulistanas contra a candidata dos pobres.
Os pobres têm muita sensibilidade e sentem muito bem o que há na consciência dessas elites. Sabem muito bem quem está com eles e quem está contra eles. Vão achar que a questão do aborto é apenas um pretexto que esconde uma questão social, o desprezo das elites, sobretudo de São Paulo pela massa dos pobres deste país.
Milhões de pobres votaram e vão votar na candidata do governo porque a sua vida mudou. Por primeira vez na história do país viram que um governo se interessava realmente por eles e não somente por palavras.
Não foi somente uma melhoria material, mas antes de tudo o acesso a um sentimento de dignidade. “Por primeira vez um governo percebeu que nós existimos”. Isso é o que podemos ouvir da boca dos pobres todos os dias.
Um povo que tinha vergonha de ser pobre descobriu a dignidade. Por isso o voto dos pobres, este ano, é um ato de dignidade. As elites não podem entender isso. Mas quem está no meio do povo, entende.
Os bispos podem lembrar-se de que a Igreja é na Europa o que é, porque durante mais de 100 anos os bispos tomaram sempre posição contra os candidatos dos pobres, dos operários. Sempre estavam ao lado dos ricos sob os mais diversos pretextos. E no fim aconteceu o que podemos ver. Abandonaram a Igreja. Cuidado! Que não aconteça a mesma coisa por aqui!
Os pobres sabem, são conscientes e sentem muito bem quando são humilhados. Não esperavam uma humilhação por parte da Igreja. Por isso, é urgente falar para eles.
Uma declaração clara da CNBB deve tranqüilizar a consciência dos pobres deste país. Sei muito bem que essa divulgação do documento na forma como foi feita, não representa a vontade dos bispos do regional Sul 1 e muito menos a vontade de todos os bispos do Brasil. Mas a maioria dos cidadãos não o sabe e fica perturbados ou indignados por essa propaganda que houve.
Não quero julgar o famoso documento. Com certeza os redatores agiram de acordo com a sua consciência. Mas não posso deixar de pensar que essa manipulação política que foi a divulgação do seu documento na véspera das eleições, dava a impressão de que estavam reduzindo o seu ministério à função de cabo eleitoral. O bispo não foi ordenado para ser cabo eleitoral. Se não houver um esclarecimento público, ficará a imagem de uma igreja conivente com as manobras espúrias
Dom Demétrio, o senhor fez jus à sua fama de homem leal, aberto, corajoso e comprometido com os pobres e os leigos deste país. Por isso, o senhor merece toda a gratidão dos católicos que querem uma Igreja clara, limpa, aberta, dialogante.
Demonizar a candidata do governo como se fez, baseando-se em declarações que não foram claras, é uma atitude preconceituosa totalmente anti-evangélica.
Queremos continuar confiando nos nossos bispos e por isso aguardamos palavras claras.
Obrigado, dom Demétrio.
José Comblin, padre e pecador.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Globo escondeu: Protesto de Moradores contra Serra
Reportagem do telejornal da Record, que foi ao ar na última terça (5), mostra visita de comitiva tucana encerrada pela manifestação de moradores da região de Belo MonteO candidato tucano foi recebido com um protesto de moradores da região de Belo Monte. Sob gritos e xingamentos, a comitiva de Serra, que incluía Geraldo Alckmin, e mal havia saído do carro, foi obrigada a finalizar a visita que durou menos de cinco minutos.
O motivo da visita, segundo a reportagem, veiculada na noite de terça-feira (5), pelo Jornal da Record, era a obra da rodovia, construída enquanto o candidato Serra era governador de São Paulo.
A seguir, confira matéria, que a TV Globo veiculou sem mostrar o protesto contra o presidenciável. Por que será, heim?
Fonte: www.pt-sp.org.br
O motivo da visita, segundo a reportagem, veiculada na noite de terça-feira (5), pelo Jornal da Record, era a obra da rodovia, construída enquanto o candidato Serra era governador de São Paulo.
A seguir, confira matéria, que a TV Globo veiculou sem mostrar o protesto contra o presidenciável. Por que será, heim?
Fonte: www.pt-sp.org.br
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Dilma inicia 2º Turno com força total
A campanha da candidata Dilma Rousseff demonstrou mais uma vez sua força e liderança. Os governadores da base aliada eleitos no primeiro turno, mais os senadores e deputados de vários partidos vieram a Brasília, nesta segunda-feira, 04/40, para começar o segundo turno ao lado de Dilma.
A reunião serviu para unir forças e traçar estratégias para a vitória no segundo turno contra o candidato que representa do governo Fernando Henrique Cardoso e o período em que o Brasil não crescia, não distribuía renda e não gerava empregos.
Dilma parabenizou a todos pelas suas vitórias, agradeceu o apoio que recebeu nos estados e pediu ajuda para vencer esta nova etapa do pleito. “Vocês nos ajudarão a fazer o enfrentamento daqui para frente. Suportamos durantes seis meses o embate. E, agora, contamos a ajuda de vocês para vencer e continuar o projeto do presidente Lula”.
Todos lamentaram os ataques de baixo nível dos adversários, que tiraram as chances de vitória no primeiro turno, mas demonstraram que estão preparados para apoiar Dilma no caminho até a Presidência da República. A maioria dos aliados também sugeriu à candidata que não responda a esses ataques e continue apresentando suas propostas, porque a população sabe que sua vida melhorou na gestão petista.
Também ficou decidido que a coligação fará uma aproximação com a candidata do PV, Marina Silva, mas que respeitará o tempo de decisão da senadora. “Não temos porque não pedir o apoio da Marina. Acho que ela tem mais relações conosco do que com nosso adversário. Mas essa conversa tem que ser respeitosa e cada um tem seu tempo para amadurecer as decisões. Temos que aguardar o tempo dela”, defendeu Dilma.
A petista também falou que a reunião era para mobilizar os aliados para a vitória. “Essa é uma reunião de mobilização. A gente precisa que nos estados os eleitos assumam a função de coordenadores da campanha”, explicou a candidata aos aliados.
Fonte: http://www.galeradadilma.com.br
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Após indisciplina, Mano Menezes deixa Neymar fora da Seleção
O projeto de renovação da Seleção Brasileira visando a Copa de 2014, no Brasil, ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira. O técnico Mano Menezes divulgou os 23 jogadores convocados para dois amistosos na Europa. A principal ausência da lista do treinador é o atacante Neymar, do Santos. O treinador da Seleção Brasileira preferiu deixar o jogador do Peixe de fora após a confusão que causou a demissão de Dorival Júnior. As grandes surpresas foram o goleiro Neto, do Atlético-PR, o lateral Mariano, do Fluminense, o apoiador Giuliano, do Internacional. Elias, do Corinthians, e Wesley, ex-jogador do Peixe e atualmente no Werder Bremen, são outras novidades.
- Não queremos ser mais realistas do que ninguém, e nem mais duros do que ninguém. O futebol brilhante dos últimos meses deve ser a marca fundamental de um jogador talentoso como o Neymar. Se isso voltar a ser a regra, ele será novamente chamado - disse Mano Menezes.
Os adversários dos amistosos em solo europeu não foram divulgados pela CBF, porém os jogos já estão acertados (serão realizados entre os dias 6 e 13 de outubro). De acordo com a entidade, que encontrou dificuldades para encontrar rivais por conta das eliminatórias para a Eurocopa 2012, na Polônia e na Ucrânia, o anúncio ainda não foi feito por conta de questões contratuais.
Neymar fez parte da lista de convocados de Mano Menezes para a primeira partida da Seleção após a disputa da Copa do Mundo na África do Sul e se tornou um dos símbolos do processo de renovação apresentado pelo treinador. O jogador, inclusive, foi um dos destaques da equipe que venceu os Estados Unidos por 2 a 0, em Nova Jérsei. Naquela ocasião, o atacante do Santos deixou a sua marca, e Alexandre Pato fez o outro.
O problema de Neymar com Dorival Júnior aconteceu no dia 15 de setembro durante a partida contra o Atlético-GO, no Serra Dourada. O jogador ficou irritado por ter sido preterido na cobrança de um pênalti e acabou se desentendendo com o treinador, soltando vários palavrões. Para não perder o comando, o comandante do Santos afastou o atleta por tempo indeterminado, deixando o fora do jogo diante do Guarani, no último fim de semana. Porém, na última terça-feira, o Dorival foi demitido por não relacionar o garoto para o clássico contra o Corinthians.
Seis jogadores têm idade olímpica: o goleiro Neto, o volante Sandro, os meias Giuliano e Phillippe Coutinho, os atacantes André e Alexandre Pato. A CBF também divulgou a contratação do técnico Ney Franco, do Coritiba, para ser o novo coordenador das categorias de base e o treinador da Seleção Brasileira sub-20, a partir de dezembro, logo após a participação do seu time na Série B do Campeonato Brasileiro, que se encerra em 27 de novembro.
Ney Franco, que foi indicado pelo técnico da Seleção principal, Mano Menezes, dirigirá o time sub-20 no Campeonato Sul-Americano que será disputado em janeiro de 2011, no Peru. Esta competição classificará duas equipes para os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e quatro para o Mundial da categoria, também em 2011, na Colômbia.
Confira a lista de convocados de Mano Menezes
Goleiros
Victor (Grêmio)
Jefferson (Botafogo)
Neto (Atlético-PR)
Laterais
Daniel Alves (Barcelona)
Mariano (Fluminense)
André Santos (Fenerbahçe)
Adriano Correia (Barcelona)
Zagueiros
David Luiz (Benfica)
Alex (Chelsea)
Thiago Silva (Milan)
Rever (Atlético-MG)
Volantes
Lucas (Liverpool)
Ramires (Chelsea)
Sandro (Tottenham)
Elias (Corinthians)
Meias
Carlos Eduardo (Rubin Kazan)
Philippe Coutinho (Inter de Milão)
Wesley (Werder Bremen)
Giuliano (Internacional)
Atacantes
Alexandre Pato (Milan)
Robinho (Milan)
André (Dínamo de Kiev)
Nilmar (Villarreal)
Fonte: www.globoesporte.com
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Duas candidaturas, dois projetos!
Câmara dos Deputados - Detaq
Congresso nacional - Sessão
Número: 153.4.53.O
Data: 30/06/2010
Fonte: www.genoino.org
Congresso nacional - Sessão
Número: 153.4.53.O
Data: 30/06/2010
Deputado José Genoino - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje está se encerrando a fase de convenções partidárias para organização do processo eleitoral em âmbito nacional, estadual e do Congresso Nacional.
Para nós do PT, para nós do Governo Lula e apoiadores da candidatura Dilma, esse processo que se encerra hoje foi um processo vitorioso, porque consolidamos a candidatura da companheira Dilma em uma posição de primeiro lugar nas pesquisas, construímos palanques e uma aliança nacional com partidos que dão sustentação política ao Governo Lula que nos possibilitará uma força política forte na campanha eleitoral. E podemos apresentar ao País os indicadores dos 8 anos do Governo Lula.
Esse processo, Sr. Presidente, na verdade, é parte de um projeto que começou em 2002 na campanha de Lula como o lema "a esperança vencerá o medo". E venceu, Sr. Presidente.
Iniciamos um processo de transformação no País após um período de privatizações, de crise internacional, de vulnerabilidade frente a essa crise, estagnação, desemprego, inflação, estagnação econômica e uma desesperança da população brasileira, principalmente da juventude.
O Governo Lula, nesses 8 anos, construiu um processo de resgate do crescimento econômico, de universalização de políticas de inclusão, como o programa Luz para Todos, PROUNI, Bolsa Família, e retomou a perspectiva de crescimento com geração de emprego.
Apresentamos, nesta semana, 13 milhões, 13 mil e 131 empregos com carteira assinada; 22 milhões de pessoas foram resgatadas da miséria; e o papel protagonista e soberano da presença do Brasil no mundo.
Nossa candidata, e a aliança que a sustenta, representa a continuidade desse projeto, com alguns focos, escolhas e aprofundamento, como o crescimento sustentável da economia, a expansão do mercado interno, a universalização das políticas públicas e o protagonismo internacional.
A grande novidade do projeto de 8 anos do Governo Lula foi exatamente governar para todos, garantindo e ampliando direitos para a população mais pobre do País. Esse processo terá continuidade e será o palco central na disputa de 2010 entre as 2 principais candidaturas. As 2 candidaturas representam 2 projetos, 2 caminhos, 2 visões diferentes e antagônicas.
Nesse sentido, a posição das forças e da candidata Dilma Rousseff representa vantagens políticas, pelo que significou os 8 anos do Governo Lula e pelo que representa nossos compromissos de dar continuidade a um projeto nacional, democrático e popular.
Esse processo de construção é muitas vezes tortuoso, demorado, difícil, mas ele é vitorioso.
E a continuidade dele é questão central para os que sempre lutaram e sonharam com um projeto de resgate da soberania, diminuição da miséria, combate ao desemprego e da afirmação de um Brasil com suas pontencialidades, diversidades e características próprias de Nação e do povo brasileiro.
Esse processo, Sr. Presidente, é uma disputa de projeto, uma disputa de alternativas que vamos fazer no campo do programa, dos caminhos e dos projetos. Vamos oferecer à população projetos e caminhos diferentes neste ano que é decisivo para o País e para o povo brasileiro.
Para nós que construímos o PT ao longo desses 30 anos, para nós que elegemos o Lula, em 2002, e passamos, num esforço muito grande, por alguns sacrifícios de sustentação deste governo nos 8 anos, para nós que estamos na construção da vitória da Dilma, essa eleição é uma das mais importantes, Deputado Gilmar Machado, dessas 6 eleições nacionais que o PT disputou, desde 1989, 5 com o Lula e a 6ª agora com a companheira Dilma. É uma eleição decisiva e estratégica. No passado, falávamos da esperança e hoje prestamos conta da esperança e propagamos que é necessário avançar, defendemos a continuidade com mudança, com prioridades, porque acumulamos mudanças importantes nesses 8 anos. Somos mais experientes, mais testados, mais afiados e estamos em melhores condições de dar continuidade a esse projeto.
Nesse sentido, o Partido dos Trabalhadores, força central, espinha dorsal da construção da vitória do Governo Lula, teve um papel fundamental na costura das alianças para dar sustentação à candidatura da companheira Dilma Rousseff.
O PT teve a clareza que o objetivo central era a campanha nacional da companheira Dilma. Teve a sensibilidade de fazer a aliança nos Estados para construir palanques unificados. O exemplo mais claro disso, Deputado Gilmar Machado, é no seu Estado, Minas Gerais. Teve a flexibilidade e a compreensão de que aonde não houver um palanque, teremos 2 palanques, como é o caso da Bahia.
Ao mesmo tempo costuramos com o PSB, com o PDT, com o PCdoB, com o PMDB, com o PR e estamos negociando com o PP e o PSL no sentido de alianças para que esse processo de construção de maiorias políticas possa nascer da eleição, daquele nosso lema maior: o poder emana do povo e só pode ser exercido diretamente pelo povo ou pela representação política.
O PT demonstrou e aprendeu que não ganha eleição sozinho nem governo sozinho. Fazemos aliança, sim, porque faz parte do jogo democrático, faz parte do processo de construção de políticas de Estado, políticas de Governo, para garantir uma governabilidade transformadora.
Algumas vezes somos criticados por essas políticas de aliança. No passado éramos criticados por sermos sectário e isolacionista. Hoje nos criticam porque fazemos política de aliança. Na verdade, o que essas pessoas que nos criticam não aceitam é que o PT seja protagonista de um projeto que está transformando o Brasil no sentido da cidadania, da qualidade de vida, da distribuição de renda, de um crescimento sustentável e de uma presença soberana no mundo.
Por isso, Sr. Presidente, Deputado Marco Maia, companheiro do meu partido, nós vamos entrar numa campanha eleitoral. Hoje termina o prazo para as convenções e o registro das candidaturas. Trabalharemos na Câmara até 15 de julho e, a partir daí, teremos campanha eleitoral. Não aceito a discussão feita por certas pessoas e certos articulistas de que o Congresso fica parado durante a campanha eleitoral. Não é verdade. A campanha eleitoral é essencial na política. Temos que estar nas bases, na rua, no comício, no corpo a corpo. Isso é essencial na democracia. Poderemos ter algumas semanas de esforço concentrado, mas estar na rua e pedir votos, Deputado José Rocha, é uma atividade essencial da política. O que querem esses críticos é substituir a política pela técnica ou pela sentença, porque estaríamos sacrificando o princípio de que todo poder emana do povo.
Vamos, sim, mostrar nossa cara, nosso número, nosso programa e nossas propostas. Essa é uma forma de consolidar a democracia em nosso País.
Por isso, Sr. Presidente, eu solicito a V.Exa. para dar uma sistematização maior a esse meu pronunciamento: a transcrição do texto Duas Candidaturas, Dois Projetos, que apresento neste pronunciamento nas Comunicações Parlamentares pela bancada do Partido dos Trabalhadores.
Muito obrigado.
Fonte: www.genoino.org
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Há um ano atrás, Serra já falava sobre vazamento de dados da Receita Federal
ACOMPANHE A REPORTAGEM EM VIDEO:
Uma reportagem especial do SBT, em outubro de 2009, mostrou que se comprava nas ruas de São Paulo informações sobre milhares ou milhões de pessoas, inclusive, nas palavras de Serra, sua mulher e seus filhos. O mesmo foi feito com o presidente Lula, D. Marisa, seus filhos, o ministro da Fazenda, Guido Mântega, o então ministro da justiça, Tarso Genro e muitas outros servidores, inclusive da alta cúpula da secretaria de segurança de São Paulo. Informações que deveriam ser mantidas secretas por vários órgãos, inclusive a própria PM, que confirmou que foram violados cadastros internos da corporação a que ninguém de fora teria acesso.
Uma prova de que atividades criminosas, sem qualquer aparente vinculação política e eleitoral, embora sejam graves e devam ser profundamente investigadas e punidas, já aconteciam, inclusive dentro do que era responsabilidade do Governo paulista, então comandado por… José Serra, que fala sobre o problema sem 1% do furor com que fala agora.
*Fonte: Portal Tijolaço - O blog do Brizola Neto
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